para um bom leitor

...escrever é sempre um ato de existência.Quando se escreve conta-se o que é...A história é mais real do que qualquer explicação.A realidade do que sou está mais no que escrevo do que nas racionalizações que possa fazer. (Ruth Rocha)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

bebendo no gargalo, de novo

Ainda que a mensagem de um novo tempo na capoeira esteja entrecruzado em algumas amarras da vida, penso que resta giz entre as unhas para que a gente possa escrever outras histórias vividas e cantadas na roda. Haverá sempre um tempo de correntezas e águas calmas, portanto é preciso estar atento. O aqui e o agora já foi mais fácil; o jogo jogado, o impulso que vence a resistência do ar... Segue para onde os movimentos de pernas e braços de agora em diante?Jamais me libertarei dessa cena, cada tempo é um tempo.Não há decifrações. Há os encontros e experiências enraizadas sob o som do berimbau em ritmos soltos e securas contidas.Tudo em busca do entendimento acrescido de estranhamentos, ironias, diálogos e pitadas de risos, talvez sob temas movediços e instáveis.Puro viver!Cada começo é um desenlace, uma luz no fim do túnel. Eis a mão inacabada que ainda faz  percurtir o som do arame,do aço. Aqui a alma se instala, respira eternidade. 
                                                     "vento que venta lá, venta cá"

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

jogar e brincar a capoeira como espaço de reflexão

O jogo está entrelaçado ao próprio desenvolvimento, presente em todos os momentos do ciclo vital. É evidenciado em culturas e ambientes variados bem como uma expressão que fascina em diferentes contextos de uma geração à outra. A prática da capoeira se destaca enquanto exercício social em contexto educativos. Envolve valores, regras, reciprocidade, competição, mas fundamentalmente favorece a aprendizagem e desenvolvimento no indivíduo.Durante a infância, as tarefas em grupos assumem grande importância na construção da cooperação. Os jogos e brincadeiras da capoeira promovem descentração,cooperação e caracteriza-se como possibilitadores de reelaborações de atitudes da criança mediante novas experiências. A capoeira na educação infantil permite vivenciar a experiência em grupo de maneira solidária Neste caso, o educador deve objetivar mudanças de comportamento criando situações reais nas quais ela, seja conflitada na sua forma de ver o mundo e interpretá-lo diante da realidade que se apresenta. Portanto, o brincar possibilita o reconhecimento da realidade e de significação vividas pela criança, além do encontro consigo mesma, seus pensamentos, sua emoção, suas potencialidades, seus limites.No entanto, o educador deve estar atento à banalização da brincadeira na sociedade contemporânea. O discurso do "lúdico" ou a estratégia pedagógica redentora e eficaz a todos os problemas relativos às crianças estão no mote de muitos educadores. Além disso, a infância contemporânea ainda é aquilo que os adultos permitem que seja. Há uma falsa idéia da proteção da infância: aniquila a criança e a  obriga a ser a reprodução da infância que tiveram os adultos. Caro educador de capoeira, analise em sua prática as interações sociais presentes no brincar, pois é preciso considerar que há um emaranhado de valores. As situações de interação favorecem a observação de estereótipos e preconceitos explicitados pelas crianças porque evocam as relações delas com os objetos de conhecimento e com os outros.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando a saudade bater...

De repente um recomeço. Digo que tenho muito o que fazer, continuemos...nada mais, que tudo acontece sem o nosso consentimento.O motivo é contemplar a lei natural dos encontros, pois quantos encontros marcados foram de total decepção.O meu amadurecimento vem da coragem de jogar-me no mundo sob a sinfonia do arame. Tenho andado por todos os cantos, talvez com mais de uma verdade no bolso. No entanto trabalha-se com o que se tem, como entender o que se encerra, o que cessa?Isso dói como rasgar os dedos em cacos de vidro.No final das contas caímos na varanda lá fora, e sob um céu de estrelas  sentimos saudade: rindo e chorando a existência das horas, dos segundos, das cantigas de capoeira...Por viver o que fui e o que ainda serei, um outro tempo começou: sem medo de tropeçar no mesmo passo tantas vezes ensaiado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Encantos do cordel




Meu cordel tem encanto e tem magia
Vem do povo a minha inspiração
Que brota feito semente no chão
Ou então das nuvens da fantasia
Que derramam uma chuva de poesia
Me inundando de criatividade
E me fazem voar com liberdade
Nas asas de um pavão misterioso
Ver o mundo de um jeito mais formoso
Poder ir aonde sinto vontade
                                          Autor: Victor "Lobisomem"

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mediação

É importante destacar que o  termo "mediação" encontra significados em vários estudiosos do assunto. Para alguns autores o termo se apresenta em seu sentido genérico como a ação de relacionar duas ou mais coisas, é "ponte" ou intermediário, mas também passagem de uma coisa à outra. Na tradição filosófica clássica, a noção de mediação está na necessidade de explicar a relação ente duas coisas, sobretudo entre duas naturezas distintas. Os autores contemporâneos apontam a mediação como um tipo especial de interação entre alguém que ensina (o mediador) e alguém que aprende (o mediado). De forma intencional e planejada o mediador age entre as formas externas de estímulo e o aprendiz. Capoeiristicamente falando, este pensamento sempre existiu na prática da capoeira, mas poucos tem a noção do que acontece. Portanto, é importante que estudemos nossas análises e esquemas para que possamos melhorar nossa prática no ensino da capoeira . Neste sentido a ação do mediador deve selecionar, dar forma, focalizar, intensificar os estímulos e retroalimentar o aprendiz em relação às suas experiências a fim de produzir aprendizagem apropriada intensificando as mudanças no sujeito. As contribuições de FEUERSTEIN  apud Meier&Garcia (2008) nos ajuda entender alguns critérios para que haja mediação. Para este autor há três critérios que são universais: 
1. Mediação da intencionalidade e da reciprocidade: "O mediador precisa ter o objetivo de ensinar e, por meio das suas ações, garantir que o que está sendo ensinado realmente seja aprendido (...)". Este critério na capoeira deve ser permanente pois se objetiva sempre que o aluno evolua através das estratégias à sua disposição e promova um salto qualitativo na forma de jogar com base sólida. A reciprocidade é parte integrante dos ensinamentos pois de nada adianta os esforços contínuos do professor se o sujeito não quer aprender: o mediado precisa querer aprender.
2. Mediação da transcedência: " É a orientação consciente do mediador em ensinar olhando para o futuro, para outros contextos, para situações do além aqui-e-agora". Em todo momento fazemos a relação da capoeira com a própria vida, em outros contextos. O ensinamento não é pontual, restrito a única situação: é aplicável, útil e integrável a outros saberes. Uma capoeira que é eficaz e de qualidade tem o poder de autoperpetuar-se,é um processo de "aprender a aprender".
3. Mediação do significado: "O significado cria uma nova dimensão para o ato de aprender, levando a um envolvimento ativo e emocional no desenvolvimento da tarefa". Mais do que tudo é preciso que o aluno (aprendiz, mediado) aprenda a buscar significado naquilo que faz. O profissional da capoeira deve mediar significado apondo-se a uma descontextualização, ao que manda memorizar ao invés de compreender.

Fonte: Meier e Garcia, Marcos e Sandra. Mediação da Aprendizagem: contribuições de Feuertein e de Vygotsky.Curitiba: Edição do autor, 2008.

UFA!!! me empolguei...prometo que o próximo vai ser mai enxuto. Um grande abraço aos meus leitores!